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02 - Criptografia Simétrica e Assimétrica

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Criptografia Simétrica e Assimétrica

A criptografia é apresentada pelas fontes como o principal mecanismo para garantir a Confidencialidade, permitindo que a informação seja ininteligível para terceiros e garantindo que apenas o destinatário autorizado tenha acesso ao conteúdo original. No contexto da Comunicação Segura, ela é dividida em dois métodos principais que se complementam: a criptografia simétrica (chave secreta) e a assimétrica (par de chaves pública/privada).

Abaixo, detalham-se características, algoritmos representativos, vantagens/desvantagens e o uso combinado (híbrido) em protocolos reais.

1. Criptografia Simétrica (Chave Secreta)

Neste método, a mesma chave é utilizada tanto para cifrar quanto para decifrar a mensagem. Por isso é também chamada de secret-key ou single-key cryptography.

  • Vantagens: É significativamente mais rápida e fácil de implementar, sendo a forma mais comum de encriptação em transações de compra e venda online. Exige menos poder de processamento das máquinas.
  • Desvantagens: Sua principal vulnerabilidade é o compartilhamento da chave. Se a chave for interceptada por um invasor, ele poderá decifrar todas as mensagens que a utilizam. Além disso, os algoritmos tendem a ser mais simples do que os assimétricos.
  • Exemplos: AES, Blowfish, RC4, 3DES e IDEA.

Tipos de Algoritmos Simétricos

Tipo Descrição Exemplos
Block Cipher Cifra blocos fixos (64/128 bits) AES, DES, 3DES, Blowfish, Twofish
Stream Cipher Cifra byte a byte, em fluxo contínuo RC4, ChaCha20, Salsa20, A5/1

Desafio da Distribuição de Chaves

Em uma rede com N participantes que precisam falar privadamente dois a dois, são necessárias N(N-1)/2 chaves distintas — por exemplo, 1.000 usuários demandam ~499.500 chaves. Esse é o problema de escala que motivou o surgimento da criptografia assimétrica e do protocolo Diffie-Hellman.

2. Criptografia Assimétrica (Chave Pública)

Este método utiliza um par de chaves distintas: uma pública (que pode ser divulgada a qualquer um) para criptografar e uma privada (mantida em segredo absoluto pelo dono) para decodificar.

  • Vantagens: É um mecanismo muito mais seguro, pois a chave privada nunca é transmitida. Uma vez que os dados são cifrados com a chave pública, nem mesmo o remetente pode decifrá-los sem a chave privada correspondente. Resolve o problema de distribuição de chaves da simétrica.
  • Desvantagens: Os algoritmos são mais complexos, o que torna o processo mais lento e exige maior poder de processamento das plataformas.
  • Exemplos: RSA, DSA, ECC e Diffie-Hellman.

Funções Criptográficas Possíveis

Operação Chave usada Aplicação
Cifrar mensagem Pública do destinatário Confidencialidade
Decifrar mensagem Privada do destinatário Confidencialidade
Assinar documento Privada do signatário Autenticidade + Não-repúdio
Verificar assinatura Pública do signatário Autenticidade + Integridade

3. Tabela Comparativa: Simétrica vs Assimétrica

Característica Simétrica Assimétrica
Número de chaves 1 (compartilhada) 2 (par pública/privada)
Velocidade Muito rápida (100-1000x) Lenta
Complexidade matemática Substituição/permutação Fatoração (RSA), log discreto (DH), curvas elípticas (ECC)
Tamanho típico de chave 128-256 bits 2048-4096 bits (RSA) / 256-521 bits (ECC)
Custo computacional Baixo Alto
Distribuição de chave Crítico (precisa canal seguro) Simples (chave pública é pública)
Casos de uso Dados em volume, cifragem de tráfego Troca de chaves, assinaturas, certificados
Exemplos AES, ChaCha20, 3DES RSA, ECC, Ed25519, DH

4. Uso Combinado (Híbrido)

Na prática, a comunicação segura utiliza uma abordagem híbrida para aproveitar a velocidade da simétrica e a segurança da assimétrica. O fluxo típico é:

  1. As partes usam criptografia assimétrica (ou DH/ECDH) para negociar uma chave de sessão simétrica.
  2. A partir daí, todos os dados são cifrados com a chave de sessão simétrica.
  3. Ao final da sessão, a chave simétrica é descartada (ephemeral key).

Protocolo SSH (Secure Shell)

Adota a criptografia assimétrica no processo de autenticação (para provar a identidade das estações, via chave pública do servidor e/ou par SSH do cliente) e utiliza a criptografia simétrica (chave de sessão negociada via Diffie-Hellman) para cifrar as mensagens e dados efetivamente trocados durante a conexão.

SSL/TLS (HTTPS)

Utiliza certificados digitais e um par de chaves (assimétricas) para estabelecer a conexão segura. Após a validação do certificado, uma chave simétrica é frequentemente gerada para o tráfego de dados da sessão, garantindo rapidez no carregamento das páginas.

Resumo do handshake TLS 1.3 (RFC 8446):
- Cliente envia ClientHello com chave pública efêmera ECDHE.
- Servidor responde ServerHello + certificado X.509 + chave pública efêmera ECDHE + assinatura.
- Ambos derivam shared secret via ECDH (assimétrico).
- Derivam chaves simétricas via HKDF (RFC 5869) e cifram todo o tráfego com AES-GCM ou ChaCha20-Poly1305.

IPSec

Fornece segurança na camada de rede através de túneis que utilizam criptografia e autenticação para garantir a privacidade e a integridade dos pacotes IP. Combina IKE (RFC 7296, baseado em Diffie-Hellman) para negociação assimétrica com ESP (RFC 4303) usando AES-GCM ou ChaCha20-Poly1305 para cifragem simétrica dos pacotes.

5. Assinaturas e Certificados Digitais

A criptografia assimétrica é a base para outros dois pilares da comunicação segura:

  • Assinatura Digital: Utiliza a chave privada do emissor para garantir a autenticidade (quem enviou), a integridade (o documento não foi alterado) e o não-repúdio (o emissor não pode negar o envio). Padrões: RSA-PSS (RFC 8017), ECDSA (FIPS 186-4), Ed25519 (RFC 8032).
  • Certificado Digital: É um arquivo eletrônico que vincula uma entidade a uma chave pública, validado por uma Autoridade Certificadora (AC) que atua como uma "terceira parte confiável". Padrão X.509 v3 (RFC 5280), gerido por uma PKI (Public Key Infrastructure).

Cadeia de Confiança X.509

Root CA (auto-assinado, na trust store)
   |
   v
Intermediate CA
   |
   v
End-Entity Certificate (servidor web, e-mail, etc.)

6. Modelos de Gestão de Chaves

  • PGP / OpenPGP (RFC 4880): modelo web of trust sem CA centralizada.
  • PKI X.509: hierárquica, com CA raiz e CAs intermediárias.
  • TOFU (Trust On First Use): confia na primeira chave apresentada (SSH default).
  • CT Logs (Certificate Transparency, RFC 6962): logs públicos append-only para auditoria de CAs.

7. Conclusão

As fontes concluem que, embora a criptografia não seja infalível, ela reduz drasticamente os riscos de interceptação e é essencial para proteger a propriedade intelectual e a privacidade dos usuários no mundo digital. A combinação inteligente de simétrica (para volume de dados) e assimétrica (para troca de chaves e assinaturas) tornou-se o paradigma dominante em todos os protocolos modernos (TLS, IPSec, SSH, Signal, WPA3, DKIM/DMARC). Sem essa arquitetura híbrida, a Internet segura que conhecemos hoje — e-commerce, online banking, comunicação corporativa — não seria viável, pois nem simétrica nem assimétrica isoladamente resolveriam o problema de forma escalável e eficiente.