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02 - PEAK Framework (Splunk)

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PEAK Framework (Splunk)

Nota do Capítulo 23, Frameworks e Metodologias Emergentes.
Apresenta o PEAK da Splunk, Platform, Experiences, Analytics e Knowledge, com pré-requisitos de plataforma, as três selvas de hunting experiences, o catálogo de analytics e o knowledge engine, com exemplo de caça organizada no framework.
Dialoga com o Hunt Loop do capítulo 6, com a TaHiTI e o THRIVE desta pasta e com os controles HNT e DAT do capítulo 15.

1. Contexto e Posicionamento na Biblioteca

A maioria dos programas de hunting nasce viciada em um único tipo de caça, normalmente a hipótese derivada de relatório de CTI, e descobre tarde que esse recorte deixa vazios enormes de cobertura. O PEAK, publicado pela Splunk como framework aberto, organiza o hunting em quatro componentes interdependentes, Platform, Experiences, Analytics e Knowledge, e classifica as experiências de caça em famílias que cobrem desde a hipótese clássica até baselines amplas e caças assistidas por modelo. O framework é agnóstico de produto apesar da origem, e a plataforma da Splunk é apenas a materialização mais conhecida das suas exigências.

O posicionamento na biblioteca é o de modelo de portfólio de caça. O Hunt Loop do capítulo 6 descreve o ciclo individual de uma caça, o THRIVE desta pasta ordena a fila, e o PEAK organiza o portfólio inteiro do programa, garantindo mistura adequada entre tipos de caça e sustentando o reaproveitamento do que cada caça produz. A leitura conjunta com a TaHiTI desta pasta mostra dois pontos de vista complementares, um de taxonomia de processo e outro de ecossistema de capacidades.

2. Os Quatro Componentes: Platform, Experiences, Analytics, Knowledge

O PEAK parte de uma tese simples: hunting maduro exige uma plataforma de dados, experiências de caça diversificadas, um catálogo de analytics reutilizáveis e um motor de conhecimento que preserve e dissemine o aprendizado. A ausência de qualquer componente estrangula os demais, e o diagnóstico de um programa doente quase sempre encontra o mesmo padrão, caças produzindo conhecimento que ninguém preserva, ou analytics órfãos que ninguém reexecuta. A tabela a seguir resume o papel de cada componente no ecossistema.

Componente Papel no PEAK Falha típica quando ausente
Platform Fundação de dados centralizados e consultáveis com telemetria normalizada Caças limitadas a um produto, busca manual dispersa entre consoles
Experiences As práticas de caça organizadas nas três selvas, com pessoas e tempo dedicados Programa reduzido a caça de hipótese de relatório, cobertura distorcida
Analytics Catálogo de analytics documentados, reutilizáveis e versionados Cada caça reescreve consultas parecidas, aprendizado não se acumula
Knowledge Documentação, lições e memória do programa acessíveis ao time Conhecimento morre com a saída de pessoas, caças repetem cegos conhecidos

3. Pré-requisitos de Plataforma

O PEAK é explícito ao dizer que hunting começa em plataforma, não em inspiração, e define os pré-requisitos mínimos que viabilizam as experiências. O primeiro é centralização de dados com normalização, porque caça que exige saltar entre dez consoles se transforma em auditoria cansativa e mal replicada, e os controles DAT do capítulo 15 existem exatamente para essa fundação. O segundo é capacidade de consulta expressiva sobre janelas longas, com linguagem de busca que suporte estatística e correlação, como SPL no caso Splunk ou KQL e EQL em plataformas equivalentes, porque baselines exigem comparar períodos e distribuições.

O terceiro pré-requisito é governança de retenção e de qualidade, com janelas de dados suficientes para distinguir sazonalidade de anomalia, e inventário de fontes que diga a verdade sobre lacunas, ligando a plataforma ao controle TH.1 de inventário de dados. O quarto é separação de ambientes e controle de acesso, porque queries de caça são caras e algumas exploram dados sensíveis, e o controle TH.3 do capítulo 15, de ambiente isolado de hunting, cobre essa exigência. Time com tempo protegido completa os pré-requisitos, porque plataforma excelente com hunter sem hora dedicada produz caças de madrugada sem documentação, o antipadrão conhecido.

A checagem de maturidade da plataforma pode ser feita com perguntas objetivas, e o resultado orienta o investimento antes de qualquer promessa de caça em escala. A lista a seguir resume as perguntas mínimas do diagnóstico:

  • Existe um lugar único onde a maior parte da telemetria pode ser consultada com linguagem de busca, ou o hunter precisa abrir dez consoles por caça?
  • As fontes críticas têm normalização consistente, com nomes de campos estáveis entre sistemas, ou cada caça começa descobrindo o formato dos dados?
  • A retenção cobre janelas suficientes para comparar períodos e identificar sazonalidade, ou as caças ficam limitadas a dias?
  • O acesso de caça é isolado do acesso operacional, com limites de custo por consulta para proteger a plataforma da carga do hunting?
  • Existe inventário honesto do que não é coletado, para que hipóteses inviáveis sejam transformadas em requisitos de coleta e não em frustração silenciosa?

Respostas negativas não bloqueiam o início do programa, porque a primeira caça pode ser uma partial baseline sobre a fonte mais madura disponível, e cada resposta negativa vira requisito de coleta priorizado. O erro é o inverso, prometer portfólio completo de selvas com plataforma que ainda não sustenta baselines, e o PEAK é explícito em colocar Platform antes de Experiences por essa razão.

4. Hunting Experiences e as Três Selvas

A contribuição mais citada do PEAK é a classificação das experiências de caça em três famílias, chamadas de selvas, que juntas cobrem o espectro completo de abordagens. A selva de hypothesis hunts reúne a caça clássica orientada por hipótese derivada de CTI, TTP ou lição de incidente. A selva de model-assisted hunts usa modelos estatísticos ou de aprendizado de máquina como assistente do hunter, e não como substituto, com o humano investigando os desvios que o modelo sinaliza. A selva de baseline hunts constrói e monitora baselines do ambiente, dividida em três tipos com escopos crescentes, conforme a tabela a seguir.

Selva Escopo típico Exemplo prático Consumo de tempo relativo
Hypothesis hunt Técnica específica sob suspeita fundada Verificar T1566.001 após relatório de campanha no setor Ciclos curtos e frequentes
Model-assisted hunt Desvio estatístico sinalizado por modelo Modelo de autenticação que aponta contas com padrão incomum de logon Ciclos médios, com manutenção de modelo
Partial baseline Um host, um usuário ou um serviço específico Baseline de execução noturna de um servidor de integração Custo baixo, alto retorno pontual
Tactical baseline Um comportamento ou TTP em todo o ambiente Baseline de uso de ferramentas de administração remota na rede Custo médio, retorno amplo
Strategic baseline O ambiente inteiro por perspectiva ampla Baseline geral de processos executados na empresa Custo alto, reexecução rara

A lição de portfólio do PEAK é que as selvas precisam de mistura deliberada, porque programas puramente de hipótese nunca descobrem o que não procuravam, e programas puramente de baseline afogam em anomalias sem narrativa. Uma distribuição inicial saudável para um time pequeno é a maioria dos ciclos em hypothesis hunts, uma parcela constante em partial e tactical baselines, e strategic baselines anuais ou semestrais, com model-assisted entrando quando a plataforma e o volume de dados suportam manutenção de modelo honesta.

4.1 Escolhendo a selva por objetivo

A escolha da selva parte do objetivo da semana, e não da preferência do hunter, e a tabela a seguir organiza a decisão pelos objetivos mais comuns de um programa real. O objetivo define a selva, a selva define o formato do registro e o formato do registro define o que o knowledge engine vai receber no fim.

Objetivo do ciclo Selva indicada Por que a selva atende o objetivo
Responder a campanha ou ator recente no setor Hypothesis hunt Existe suspeita fundada com técnica candidata e janela de tempo
Aproveitar modelo estatístico já disponível na plataforma Model-assisted hunt O modelo sinaliza desvios e o hunter investiga o sinal
Conhecer o comportamento normal de um ativo crítico Partial baseline Escopo estreito, retorno rápido, fundação para caças futuras
Cobrir um TTP em todo o ambiente antes de criar detecção Tactical baseline Distribuições amplas revelam exceções que regra única não pega
Revisar o ambiente inteiro em janela longa Strategic baseline Panorama amplo com custo alto, executado em etapas
Auditorar cegos conhecidos do ambiente Hypothesis hunt ou baseline parcial Hipótese sobre o cego com dados disponíveis delimita o esforço

O erro comum é escolher a selva pelo apelo técnico do momento, com times talentosos gastando semanas em model-assisted hunts de retorno marginal enquanto nenhum baseline crítico existe, e a tabela acima existe justamente para tirar essa escolha da preferência. A revisão trimestral do portfólio compara a mistura executada com a mistura planejada, e a divergência entre as duas é a métrica de aderência ao PEAK que o programa acompanha junto com os KPIs de hunting do capítulo 11.

5. O Catálogo de Analytics

O catálogo de analytics é a memória técnica do PEAK e transforma cada caça em capital reutilizável. Cada entrada documenta a lógica de detecção ou de busca, a fonte de dados exigida, o que o analytics distingue de ruído, exemplos de resultados benignos e maliciosos, o mapeamento ATT&CK e o estado de validação, seguindo a filosofia das ADS do capítulo 18. O catálogo é versionado em repositório, e a regra de ouro é que nenhum analytics entra no catálogo sem ter rodado em dados reais com resultado documentado, porque analytics teórico é hipótese, não ativo.

O fluxo de trabalho conecta as selvas ao catálogo nas duas direções. Caças de hipótese consomem analytics existentes quando possível e criam novos quando necessário; baselines geram analytics de distribuição que depois alimentam model-assisted hunts; e toda caça encerrada devolve ao catálogo suas consultas refinadas, com os falsos positivos descobertos registrados como documentação. Esse fluxo é a materialização da ponte entre hunting e detecção descrita no capítulo 18, e o PEAK apenas exige que ela seja sistemática, e não ocasional. A entrada de catálogo resultante do baseline tático de acesso a LSASS, usada no exemplo da seção 7, ilustraria o formato mínimo esperado:

id: ANA-2026-0031
nome: baseline de acesso a lsass por processo
selva_origem: tactical baseline
tecnica_attck: T1003.001
fontes_exigidas:
  - telemetria de acesso a processo do EDR
logica: >
  Distribuicao de processos que abrem lsass.exe por host e por horario,
  comparada a janela de 30 dias, com lista de consumidores legitimos
  mantida no campo de contexto.
consumidores_legitimos_conhecidos:
  - agente de EDR
  - agente de backup
  - ferramenta de monitoramento
falsos_positivos_registrados:
  - script de inventario trimestral da TI
estado: validado em producao, uso em model-assisted hunts
dono: equipe de detection engineering

A lista de consumidores legítimos é o campo que dá valor ao analytics de baseline, porque é ele que transforma uma distribuição estatística em entendimento operacional do ambiente, e cada falso positivo descoberto em caça posterior atualiza a lista, mantendo o ativo vivo. O catálogo sem atualização degrada com o tempo, e o dono nomeado na entrada é quem responde pela revisão quando a versão da plataforma ou da fonte muda.

6. O Knowledge Engine

O knowledge engine é o componente menos glamouroso e o mais decisivo do PEAK, e cobre tudo que preserva e dissemina o conhecimento do programa. Ele inclui a documentação de cada caça executada, com hipótese, dados usados, consultas, achados e destino do resultado; o registro de lições sobre o ambiente, como quais serviços legítimos produzem comportamento parecido com técnicas específicas; e a ligação com CTI, documentando quais TTPs foram caçados, com qual resultado e qual lacuna de telemetria permaneceu. O formato do registro é livre, mas o PEAK exige três atributos mínimos, rastreabilidade da caça ao pedido original, reprodutibilidade das consultas e destino explícito do achado, os mesmos três atributos que a nota de documentação de descobertas do capítulo 7 estabelece para o ciclo individual.

A função estratégica do knowledge engine é permitir que o programa sobreviva à rotatividade e provar valor à liderança, porque a soma de caças documentadas, analytics catalogados e lacunas mapeadas é a resposta factual quando alguém pergunta o que o hunting entrega. Programas sem knowledge engine repetem caças, perdem achados e apresentam valor por anedota, o padrão que o PEAK existe para eliminar.

7. Exemplo de Caça Organizada no PEAK

Considere uma model-assisted hunt partindo de um tactical baseline. O time construiu um baseline tático de acesso a LSASS por processo em toda a malha Windows, documentado no catálogo com a lista de consumidores legítimos conhecidos, EDR, agente de backup e ferramenta de monitoramento, e o modelo simples de frequência e horário apontou três desvios na última semana. A consulta central do baseline, em SPL, que alimenta o modelo e depois a investigação dos desvios, segue abaixo.

index=edr event_type="process_access" target_process="lsass.exe"
| bin _span=1h _time
| stats count by host, source_process, _time
| eventstats avg(count) as media_host by host, source_process
| where count > media_host * 3
| lookup process_info process_name OUTPUT categoria_consumidor
| where isnull(categoria_consumidor)

A caça segue a estrutura do framework conforme o registro abaixo.

Etapa PEAK Conteúdo do registro
Componente de origem Tactical baseline de acesso a LSASS, analytics do catálogo versão 3
Selva e tipo Model-assisted hunt, desvio sinalizado pelo modelo de frequência
Hipótese decorrente Processo novo acessando LSASS em dois servidores de aplicação pode indicar dump de credenciais
Consulta central Busca de eventos de acesso a LSASS com linha de comando e hash do processo, comparada ao baseline
Dados exigidos Telemetria de EDR de acesso a processo e imagem de módulos, janela de 14 dias
Resultado Um desvio benigno, script de inventário; dois desvios com binário não catalogado executando comsvcs.dll
Destino do achado Analytics de carregamento de comsvcs.dll promovido a detecção dedicada, evento aberto ao IR
Lição ao knowledge engine Consumidores legítimos de LSASS ampliados com o script de inventário, baseline atualizado

O exemplo ilustra a economia do PEAK: a caça não nasceu do zero, consumiu baseline e analytics existentes, e devolveu dois ativos ao acervo, uma detecção promovida e um baseline corrigido. É essa circulação, e não a genialidade da consulta individual, que diferencia um programa maduro.

8. Erros Comuns e Pontos de Atenção

Os desvios mais comuns na adoção do PEAK ficam no meio do caminho entre componente e prática, e valem checklist de revisão:

  • Tratar PEAK como produto da Splunk e descartar o framework por não usar Splunk, quando o modelo se aplica a qualquer plataforma com os pré-requisitos cumpridos.
  • Ignorar baselines por parecerem work de dados e não de segurança, deixando o programa cego ao comportamento normal, exatamente o que sustenta model-assisted hunts.
  • Populá-lo de analytics teóricos nunca executados, transformando o catálogo em biblioteca aspiracional que ninguém confia.
  • Executar strategic baseline anual sem dividir em etapas, gerando um projeto gigante que nunca termina.
  • Registrar caças em mensagens instantâneas e não no knowledge engine, perdendo rastreabilidade e reprodutibilidade.
  • Usar modelo estatístico como veredito automático, invertendo a proposta do PEAK de humano investiga e modelo assiste.

O ponto de atenção central é que o PEAK exige investimento em fundação antes de resultados espetaculares, e times que pulam Platform e Knowledge colhem caças isoladas sem acúmulo, o oposto do propósito do framework.

9. Integração com o Restante da Biblioteca

O Hunt Loop e a nota de ciclo de caça do capítulo 6 descrevem o microciclo que o PEAK repete em escala de portfólio, e os controles DAT, TH.1 e TH.3 do capítulo 15 cobrem os pré-requisitos de plataforma que esta nota assumiu. A ponte entre hunting e detecção do capítulo 18 materializa o fluxo entre catálogo de analytics e detecções promovidas, e a nota de documentação de descobertas do capítulo 7 define o registro que o knowledge engine exige.

No capítulo 23, o THRIVE ordena a fila de hypothesis hunts que o PEAK balanceia com as demais selvas, e a TaHiTI fornece a estrutura de fases para cada caça individual, com o OTHF cobrindo a parcela de execução terceirizada, tipicamente baselines rotineiras e model-assisted de manutenção. O exercício de caça do capítulo 16 pode ser conduzido em formato PEAK, exigindo do aluno que classifique a caça, consulte o catálogo e registre o destino do achado.